quinta-feira, 23 de julho de 2009

Resposta do nada

Por todo esse tempo
O seu silêncio me suou como desprezo
E como diria o ex-preso
A liberdade é um grito e não um tento...
Agora eu ouço a sua voz
E meu coração se debate tão veloz
Num passado infinito e atento...
A dor é grande
Mas o meu amor é maior
Antes que uma palavra desfaça tudo
Prefiro sentir como farsa, o luto do mundo
Do que receber de você, uma oferenda de dó...
Quando você fez do meu dia uma madrugada
Não pensou no nascer duma nova aurora
Ou quem sabe...
Numa vinda ao meu leito
O peito doutra mulher amada
Você não soube naquela hora
O quanto me deixou em revolta!
Mas minha alma não a implora
Mesmo sabendo que a sua alma apenas lhe basta
Alivio-me num ninho do meu Gólgota
Porque sei que basta um grão cair a esmo
Para a terra correr no seu próprio peso, e perecer...
Pois a chama do vulcão é pedra em pasta
E por onde aquela larva passa
A vida deve morrer...
Mas o mesmo fogo que desfaz é vida
E o que eu fui e sou...
Um dia vai renascer!
Não há uma só vírgula esquecida
E para sentir o meu amor
Nesse mundo, não existe só você!
Porque se um dia você foi a minha fada
Minha menina
Minha mulher
Minha senhora
Minha safada...
Agora tenho a sua alma de mim, lá fora
Posta pra não obter mais resposta
Deixando a minha boca calada
Da pergunta que não se junta
O que nem você quer mais saber...
A resposta do nada!

Júlio Nessin
Publicado no Recanto das Letras em 23/07/2009
http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/1715711

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